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Estado Laico em Xeque: Religiões de Matriz Africana Tomam a Prefeitura do Rio em Protesto Histórico

Na quarta-feira (14), o centro do Rio de Janeiro foi palco de um protesto contundente que expôs uma ferida antiga: a desigualdade no tratamento das religiões no espaço público. Lideranças de religiões de matriz africana ocuparam a frente da Prefeitura, na Cidade Nova, em um ato firme pela liberdade religiosa e pela defesa do Estado laico.

Batizada de “Essa gente somos nós!”, a manifestação reuniu sacerdotes, praticantes, ativistas e defensores dos direitos humanos, com o respaldo da Comissão de Combate às Discriminações da Alerj. Em um gesto carregado de simbolismo, os participantes formaram um abraço coletivo em torno do prédio da prefeitura, denunciando o que classificam como exclusão institucionalizada.

O estopim do protesto foi a decisão da gestão municipal de criar um palco exclusivo de música gospel na programação oficial do Réveillon, com destaque para Copacabana. A medida gerou forte reação e levou o caso ao Ministério Público Federal, que passou a analisar se a iniciativa fere o princípio constitucional da laicidade do Estado.

A mobilização também surge como resposta direta às declarações do prefeito Eduardo Paes nas redes sociais. Para as lideranças religiosas presentes, a polêmica vai muito além de estilos musicais: trata-se de quem é visível e quem segue sendo silenciado quando o poder público escolhe privilegiar determinadas crenças em detrimento de outras — especialmente aquelas que historicamente sofrem preconceito, perseguição e violência.

Os organizadores foram enfáticos: em um Estado verdadeiramente laico, nenhuma religião pode receber tratamento diferenciado com dinheiro público. O ato ecoou um grito por equidade, respeito e reconhecimento, deixando claro que a luta não é por exclusão, mas por justiça e igualdade de direitos.

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