Espiritismo

Diversidade e Tendências no Movimento Espírita: Do Kardecismo ao Racionalismo Cristão

Espiritismo, também conhecido como kardecismo, é uma doutrina espírita e reencarnacionista estabelecida na França no século XIX por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail. Essa doutrina explica o ciclo pelo qual um espírito retorna à existência material após a morte do corpo, bem como sua evolução. O kardecismo é um movimento religioso derivado do espiritismo, difundido na América do Norte e Europa desde a década de 1850.

Kardec cunhou o termo “espiritismo” em 1857, definindo-o como a doutrina baseada na existência, manifestações e ensinamentos dos espíritos. Embora não seja considerado ciência, busca compreender o universo tangível e transcendente.

O professor Rivail, ao observar fenômenos como o giro de mesas, estudou a incorporação e a mediunidade. A doutrina se baseia em cinco obras básicas, conhecidas como Codificação Espírita, publicadas por Kardec entre 1857 e 1868. Além disso, há obras complementares. Seguidores consideram o espiritismo uma doutrina voltada ao aperfeiçoamento moral, acreditando em Deus único, comunicação com espíritos por médiuns e reencarnação.

Segundo o Conselho Espírita Internacional, o espiritismo está presente em 36 países, com mais de 13 milhões de adeptos, sendo mais difundido no Brasil, com cerca de 3,8 milhões de adeptos e mais de 30 milhões de simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira. Os espíritas também são conhecidos por influenciar e promover um movimento de assistência social e filantropia. O Kardecismo teve forte influência em diversas outras correntes religiosas, como a Santeria, a Umbanda e movimentos da nova era.

O termo Espiritismo, do francês antigo “spiritisme,” surgiu como um neologismo criado pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec, para nomear o conjunto de ideias sistematizado em O Livro dos Espíritos, publicado em 1857.

Para designar coisas novas, são necessários novos termos. Isso é exigido pela clareza da linguagem para evitar confusões de significados. As palavras espiritualista, espírita e espiritismo têm significados definidos. Alguém que acredita ter algo além da matéria é chamado de espírita. No entanto, isso não implica a crença na existência de Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Portanto, usamos os termos Espírita e Espiritismo para indicar essa crença específica, mantendo o significado original da palavra espiritismo.

No entanto, o uso do termo, com raízes comuns em várias nações ocidentais de origem latina ou anglo-saxônica, levou rapidamente à sua incorporação no uso cotidiano para designar tudo relacionado à alegada comunicação com os espíritos. Hoje, o termo espiritismo se refere a diversas doutrinas religiosas e/ou filosóficas que acreditam na sobrevivência dos espíritos após a morte do corpo e na possibilidade de comunicar-se com eles, seja casualmente ou deliberadamente, através de evocações ou espontaneamente.

Algumas pessoas repudiam o termo “Kardecismo” e reservam a palavra “espiritismo” apenas para a doutrina codificada por Kardec. Elas acreditam que o espiritismo, como doutrina, é singular e que não existem diferentes ramos dentro dele, referindo-se a outras correntes como “espiritualistas.” Essas pessoas consideram o uso do termo “espiritismo kardecista” redundante. Elas se autodenominam simplesmente “espíritas” ao aderirem aos ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas.

Outra parcela de seguidores considera apropriado o uso do termo “Kardecismo.” Essas expressões surgiram da necessidade de alguns distinguirem o “espiritismo” originalmente definido por Kardec dos cultos afro-brasileiros, como a umbanda. Esses últimos passaram a se identificar como espíritas para legitimar e consolidar esse movimento religioso, devido à proximidade entre certos conceitos e práticas dessas doutrinas.

Qualificação como ciência

Alexander Moreira de Almeida ainda tenta essa legitimação, chegando a chamar a abordagem de Kardec de inovadora. Contudo, o consenso científico atual considera a parapsicologia uma pseudociência, desconsiderando os supostos fenômenos paranormais que fundamentam o espiritismo, como mediunidade, reencarnação, obsessão, giro de mesa, sessão espiritual, psicografia, psicopictografia, tipologia, entre outros. Os críticos das pseudociências chegam a definir a parapsicologia como uma forma distorcida, pois os parapsicólogos afirmam que a ciência não pode ser o único campo privilegiado que está isento das explicações que defendem. O magnetismo animal, também presente nos ensinamentos espíritas, com constantes referências a conceitos mesmeristas como os fluidos magnéticos, é atualmente considerado pseudocientífico. Desde a segunda metade do século XVIII, os cientistas sabem que as supostas curas eram puramente psicossomáticas, conseguidas através da hipnose, sem qualquer envolvimento de “fluidos” ou magnetismo animal.

Joseph McCabe, citando as afirmações de Arthur Conan Doyle sobre os cientistas confirmarem os supostos fenômenos espirituais há 30 anos, considera que os médiuns enganaram os pesquisadores. Ele acredita que esses enganos levaram à linguagem arrogante da literatura espírita.

Um artigo publicado na revista cética britânica The Skeptic também critica o Espiritismo por sua associação com a Ufologia, a parapsicologia, o magnetismo animal e outras pseudociências.

Qualificação como cristão

Allan Kardec ensinou que “o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão”. Nas Obras Póstumas, afirma-se que o Espiritismo é “a única tradição verdadeiramente cristã”. Autores espíritas como José Reis Chaves e Severino Celestino da Silva também afirmam que a reencarnação fez parte do cristianismo primitivo até ser condenada pelo Segundo Concílio de Constantinopla. Esta tese controversa foi popularizada ainda antes por Leslie Weatherhead, mas também foi questionada com base em declarações dos Padres da Igreja e na falta de referências à reencarnação durante aquele Concílio.

A qualificação do próprio Espiritismo como cristão também tem gerado polêmicas. O doutor Antônio Flávio Pierucci, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da religiosidade brasileira, é um dos que afirmam que o Espiritismo não é uma religião cristã. Não existem doutrinas cristãs históricas dentro do Espiritismo, presentes em seus ramos principais, como a Trindade, a ressurreição física de Jesus, a inspiração da Bíblia e a redenção. Devido a essas diferenças, muitos estudiosos consideram isso uma forma de neocristianismo. Contudo, autores espíritas defendem que o Espiritismo é cristão porque promove o ensino do amor ao próximo.

Claro, aqui está o texto com um estilo mais enfático e narrativo, em vez de uma lista:

A doutrina espírita se fundamenta em princípios sólidos que moldam sua compreensão do mundo e da espiritualidade. Ela reconhece a existência de um único Deus supremo, rejeitando o conceito da Santíssima Trindade, com base na afirmação de que “Deus é a inteligência suprema, a causa primeira de todas as coisas”.

Além disso, o espiritismo sustenta que o universo, com todas as suas manifestações, é uma criação divina destinada ao progresso. Central para essa crença está a ideia de que o espírito é imortal e atua sobre a matéria através do perispírito, um elo “semimaterial”.

A doutrina também abraça a reencarnação como um mecanismo natural para o aperfeiçoamento humano, rejeitando a metempsicose. De acordo com o espiritismo, todos os espíritos são criados igualmente, com o livre arbítrio determinando suas ações para o bem ou para o mal.

A comunicação entre os espíritos, sejam encarnados ou desencarnados, é uma realidade aceita, mediada por médiuns em práticas como a psicografia. A Lei de Causa e Efeito desempenha um papel fundamental, onde nossas ações passadas moldam nosso presente e futuro.

O espiritismo também proclama a pluralidade de mundos habitados, afirmando que a Terra não é única em abrigar vida inteligente. Para os espíritas, Jesus é um guia e exemplo supremo, e sua moral cristã é vista como o caminho a ser seguido.

Um princípio central e enfatizado é o da caridade, a crença de que o amor e a benevolência para com todos são essenciais. Além desses princípios, características como a responsabilidade individual contínua, o progresso espiritual e a ausência de rituais religiosos institucionalizados são intrínsecas ao espiritismo.

O respeito por todas as religiões e opiniões é incentivado, e a fé no espiritismo é baseada em raciocínio lógico e fundamentação sólida. O espiritismo é uma doutrina que busca compreender a vida, a espiritualidade e o progresso humano de maneira profunda e significativa.

A doutrina espírita se sustenta em princípios sólidos que moldam sua compreensão do mundo e da espiritualidade. Ela reconhece a existência de um único Deus supremo, rejeitando o conceito da Santíssima Trindade, com base na afirmação de que “Deus é a inteligência suprema, a causa primeira de todas as coisas”.

Além disso, o espiritismo sustenta que o universo, com todas as suas manifestações, é uma criação divina destinada ao progresso. Central para essa crença está a ideia de que o espírito é imortal e atua sobre a matéria através do perispírito, um elo “semimaterial”.

A doutrina também abraça a reencarnação como um mecanismo natural para o aperfeiçoamento humano, rejeitando a metempsicose. De acordo com o espiritismo, todos os espíritos são criados igualmente, com o livre arbítrio determinando suas ações para o bem ou para o mal.

A comunicação entre os espíritos, sejam encarnados ou desencarnados, é uma realidade aceita, mediada por médiuns em práticas como a psicografia. A Lei de Causa e Efeito desempenha um papel fundamental, onde nossas ações passadas moldam nosso presente e futuro.

O espiritismo também proclama a pluralidade de mundos habitados, afirmando que a Terra não é única em abrigar vida inteligente. Para os espíritas, Jesus é um guia e exemplo supremo, e sua moral cristã é vista como o caminho a ser seguido.

Um princípio central e enfatizado é o da caridade, a crença de que o amor e a benevolência para com todos são essenciais. Além desses princípios, características como a responsabilidade individual contínua, o progresso espiritual e a ausência de rituais religiosos institucionalizados são intrínsecas ao espiritismo.

O respeito por todas as religiões e opiniões é incentivado, e a fé no espiritismo é baseada em raciocínio lógico e fundamentação sólida. O espiritismo é uma doutrina que busca compreender a vida, a espiritualidade e o progresso humano de maneira profunda e significativa.

Em relação à prática espírita, não há rituais formais estabelecidos nas obras de Kardec. Em vez disso, a doutrina sugere que os seguidores sigam princípios comuns a todas as religiões. Entre as práticas importantes estão as palestras públicas, grupos de estudo, reuniões mediúnicas, leitura do Evangelho em casa, reuniões para jovens e crianças, sessões de cura, conferências e feiras do livro.

Em relação à ciência, a investigação científica dos fenômenos mediúnicos é objeto de estudo, principalmente na parapsicologia, embora a existência de espíritos não seja estabelecida nem comprovada. Na medicina, a relação entre o Espiritismo e a saúde mental é estudada, reconhecendo que sintomas como ouvir ou ver espíritos não têm necessariamente causas patológicas. A relação entre saúde e experiências espirituais é explorada por figuras como Alexander Moreira-Almeida.

Há um debate contínuo entre os espíritas sobre se o Espiritismo deve ser considerado uma religião, embora pesquisas demográficas o classifiquem como tal. Isso ocorre devido à natureza multifacetada do Espiritismo, que abrange elementos de ciência, filosofia e religião.

Allan Kardec, no prólogo de seu livro “O Que É o Espiritismo?”, descreve o Espiritismo como “uma ciência de observação e uma doutrina filosófica que abrange todas as consequências morais dessas relações”. No entanto, ele também reconhece o aspecto religioso do Espiritismo e afirma que a doutrina se baseia nas verdades fundamentais de todas as religiões, como a existência de Deus, da alma, da imortalidade, das recompensas e castigos após a morte.

No Congresso Espírita Internacional de 1925 em Paris, houve uma proposta de remover o aspecto religioso do Espiritismo. No entanto, o filósofo espírita Léon Denis se opôs veementemente, argumentando que o Espiritismo não era a religião do futuro, mas sim o futuro das religiões.

É importante destacar que o Espiritismo preza pelo respeito a todas as religiões e doutrinas, valorizando os esforços em prol do bem, da fraternidade e da paz entre todos os povos. No entanto, ele rejeita alguns dogmas fundamentais de outras religiões, como a divindade de Cristo, a Santíssima Trindade, a salvação pela graça e a importância da Igreja como entidade espiritual.

Apesar das diferenças teológicas, os espíritas consideram-se cristãos e adotam a moral cristã como base de sua ética. Eles argumentam que os dogmas foram criados ao longo dos séculos pela Igreja Católica e não são necessários para seguir os ensinamentos morais de Jesus. A caridade é um princípio fundamental no Espiritismo, alinhando-se com os ensinamentos morais de Jesus sobre o amor ao próximo e a importância da caridade.

Reencarnação

Nas religiões cristãs predominantes, a reencarnação é vista como inconciliável com os princípios bíblicos, a ressurreição, os conceitos de salvação e condenação eterna. Argumentam isso com base na passagem do apóstolo Paulo que declara o destino da humanidade após a morte: “E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o julgamento…”

No entanto, de acordo com o Espiritismo, a reencarnação foi confundida com o termo ressurreição, que significa literalmente “retorno à vida”, gerando ambiguidades. A crença na possibilidade de retorno à vida após a morte remonta a antigas doutrinas judaicas, mas sem uma compreensão clara de como isso ocorreria, dadas as concepções limitadas da alma e sua relação com o corpo. Para alguns adeptos espíritas, a passagem citada de Paulo aborda essa ambiguidade, afastando a ideia de que o espírito voltaria a um corpo já falecido para morrer novamente, especialmente quando os elementos orgânicos já se dissiparam ao longo do tempo. Argumentam que, na verdade, as pessoas morrem apenas uma vez em cada existência corporal, e o “julgamento” refere-se ao estado individual (não coletivo) após a morte do corpo (vida no plano espiritual). Embora não resolva completamente a ambiguidade, várias passagens bíblicas são interpretadas como enfatizando a reencarnação, de acordo com a perspectiva espírita.

Lei do Progresso

Segundo o Espiritismo, o Juízo Final simboliza o processo de “Regeneração da Humanidade”, durante o qual a Terra passará por uma transformação gradual, tanto física quanto moral. Esse processo separará os espíritos que desejam trilhar o caminho do bem dos que permanecem no mal, representado pelas Parábolas do Julgamento das Nações e do Trigo e do Joio. No entanto, diferentemente da interpretação bíblica que leva a uma condenação eterna, a perspectiva espírita ressalta que os “espíritos imperfeitos” não ficarão eternamente em sofrimento, pois tudo no universo está sujeito à lei do progresso.

Mediunidade

Nas religiões judaico-cristãs, a Lei dada a Moisés no Antigo Testamento proibiu os israelitas de se envolverem na comunicação com o mundo espiritual e no uso de poderes “sobrenaturais” concedidos por entidades espirituais. Eles argumentam que essa proibição é reforçada no Novo Testamento, referindo-se aos “espíritos imundos” nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos. A Doutrina Espírita propõe uma abordagem crítica à interpretação desses textos bíblicos, considerando sua originalidade, vocabulário e figuras de linguagem da época, bem como o contexto espiritual daquela sociedade. Além disso, sugere que o intercâmbio mediúnico na época de Moisés ocorria com recursos materiais limitados, inadequados para uma comunicação eficaz.

A Doutrina Espírita encoraja uma compreensão mais simbólica e contextual desses textos religiosos, permitindo uma visão mais aberta e inclusiva da mediunidade.

Federação Espírita Brasileira

A Federação Espírita Brasileira (FEB) é uma instituição de interesse público, fundada em 2 de janeiro de 1884, na cidade do Rio de Janeiro. Ela é uma organização civil que atua nos campos religioso, educacional, cultural e filantrópico. Seu propósito fundamental é dedicar-se ao estudo, à prática e à disseminação do Espiritismo em todas as suas abordagens, fundamentando-se nas obras de Allan Kardec e nos Evangelhos canônicos.

Conselho Espírita Internacional

O Conselho Espírita Internacional (CEI) representa a união de associações que são representativas dos movimentos espíritas em 35 países. Sua criação ocorreu em 28 de novembro de 1992, em Madrid, Espanha. Os objetivos centrais do CEI incluem promover a fraternidade entre instituições espíritas de todo o mundo, unificar o movimento espírita global, incentivar o estudo e a divulgação da Doutrina Espírita nos seus três pilares: científico, filosófico e religioso, bem como fomentar a prática da caridade, tanto material quanto moral, conforme preconizado pelo Espiritismo. O principal evento organizado pelo CEI é o Congresso Espírita Mundial, que acontece a cada três anos.

Confederação Espírita Pan-Americana

A Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA) foi estabelecida em 5 de outubro de 1946, na Argentina, como uma instituição internacional que congrega principalmente espíritas da América Latina. A CEPA inclui organizações aderentes e filiadas em diversos países e adota uma abordagem secular do Espiritismo. Ela mantém posições polêmicas no meio espírita, como a separação entre a

doutrina e o cristianismo e a necessidade de atualizar o Espiritismo à luz dos avanços científicos. A sede da CEPA está situada em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, desde 13 de outubro de 2000. No Brasil, a atuação da CEPA ocorre principalmente por meio de eventos promovidos por instituições aderentes, como o Fórum dos Espíritas Livres e o Simpósio Brasileiro de Pensamento Espírita.

Demografia

Desde a publicação de O Livro dos Espíritos em 1857 até a morte de Kardec em 1869, o Espiritismo ganhou 7 milhões de adeptos. De acordo com dados de 2005, o Espiritismo possui aproximadamente 13 milhões de seguidores em todo o mundo. Em 2010, o Brasil, que detém a maior quantidade de adeptos, contava com cerca de 3,8 milhões de espíritas. O Conselho Espírita Internacional (CEI) agrega 36 países membros. Outra organização espírita internacional, a Confederação Espírita Pan-Americana, reúne instituições e delegados espíritas de 13 países, incluindo Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Guatemala, Honduras, México, Porto Rico, República Dominicana e Venezuela.

Brasil

O Espiritismo chegou ao Brasil em 1865, de acordo com a Federação Espírita Brasileira (FEB), embora existam opiniões divergentes sobre essa data. Por meio de figuras notáveis como Bezerra de Menezes e Chico Xavier, o Espiritismo se popularizou em todo o país, difundindo seus ensinamentos por grande parte do território brasileiro. O Brasil é o país com o maior número de espíritas no mundo. Entretanto, no século XIX, o Código Penal de 1890 chegou a proibir a prática do Espiritismo no Brasil, punindo os praticantes com até seis meses de prisão. A FEB congrega aproximadamente dez mil instituições espíritas, presentes em todas as regiões do país. Além disso, existem várias associações espíritas brasileiras voltadas para profissões específicas.

Segundo o Censo Brasileiro de 2010, o Brasil tinha cerca de 3,8 milhões de espíritas. As capitais com maior percentual de espíritas são Florianópolis (7,3%), Porto Alegre (7,1%), Rio de Janeiro (5,9%), São Paulo (4,7%), Goiânia (4,3%), Belo Horizonte (4,0%), Campo Grande (3,6%), Recife (3,6%), Brasília (3,5%) e Cuiabá (3,5%). O IBGE considera os termos “kardecismo” e “Espiritismo” equivalentes em sua classificação censitária.

O terceiro maior grupo religioso no Brasil, os espíritas também apresentam os mais altos níveis de renda e escolaridade entre os segmentos sociais, de acordo com dados do mesmo Censo. Os espíritas estão fortemente envolvidos em ações de caridade, mantendo asilos, orfanatos, escolas para pessoas carentes, creches e outras instituições de assistência e promoção social em todos os estados brasileiros. Allan Kardec é uma figura conhecida e respeitada no Brasil. Ele é o autor francês mais lido no país, com seus livros vendendo mais de 25 milhões de exemplares em todo o território brasileiro. Se considerarmos outros livros espíritas, derivados das obras de Kardec, o mercado editorial espírita brasileiro ultrapassa os 4 mil títulos já publicados e mais de 100 milhões de exemplares vendidos. A temática espírita constitui o mercado literário de maior sucesso no Brasil, com os livros espíritas liderando as listas de mais vendidos nas principais livrarias do país.

Cuba

Após a legalização das religiões em Cuba, houve um ressurgimento do Espiritismo, que já estava presente no país caribenho desde o século XIX. De acordo com dados do Ministério das Religiões, em 2011, Cuba possuía 400 centros espíritas registrados, e outros 200 foram cadastrados, tornando Cuba o segundo país com o maior número de centros espíritas no mundo. A Associação Médico-Espírita Cubana possui o maior número de membros na Associação Médico-Espírita Internacional.

Espanha

Na Espanha, um dos principais pioneiros do Espiritismo foi Luis Francisco Benítez de Lugo y Benítez de Lugo, VIII Marquês da Flórida e X Senhor de Algarrobo y Bormujos, que apresentou um projeto de lei para o ensino oficial do Espiritismo em 26 de agosto de 1873.

México

Nas décadas de 1850 e 1860, o Espiritismo chegou ao México, atraindo a elite intelectual com suas propostas de modernismo, reforma anticlerical e liberalismo de pensamento livre. O General Refugio Indalecio González traduziu obras de Kardec e publicou “El Evangelio Según el Espiritismo” em espanhol em 1872 no México. Sob a direção da Sociedad Espírita Central de la República Mexicana, revistas espíritas circularam no país. Um debate entre estudantes materialistas e espiritualistas do Liceo Hidalgo e do Teatro del Conservatorio, em 1875, foi considerado por Zenia Yébenes Escardó como “a primeira controvérsia filosófica reconhecida como tal no México.” Além disso, o Espiritismo popular surgiu, incorporando práticas indígenas e cultos locais, com um forte componente folclórico na figura de Teresa Urrea, uma curandeira espiritual apoiada por Lauro Aguirre, um espírita. A feminista Laureana Wright, escritora já consagrada, converteu-se ao Espiritismo em 1889 para promover o pensamento e a igualdade das mulheres, inspirada por exemplos de emancipação feminina que observou em outros países. Ela passou a realizar sessões na presença de diversas figuras públicas e posteriormente tornou-se presidente da Sociedade Espírita Central. Grupos espíritas surgiram em vários lugares, e após um declínio temporário no final do século XIX, o interesse pelo Espiritismo aumentou no início do século XX, com a cobertura da imprensa após Francisco Madero, que

promoveu o Espiritismo através de obras distribuídas, organização de congressos e publicação de um livro que promoveu a Revolução Mexicana. Ele se tornou presidente do México por um curto período antes de ser assassinado.

Roustainuismo

Desde o século XIX, especialmente na França e no Brasil, ocorrem conflitos de opinião entre os espíritas, erroneamente chamados de “kardecistas”, e os chamados “roustainguistas”, quanto à aceitação ou rejeição dos postulados da obra *Os Quatro Evangelhos ou Revelação do Apocalipse*, coordenada por Jean-Baptiste Roustaing, especialmente no que diz respeito à gênese do corpo de Jesus e à queda espiritual, que provocaria a primeira encarnação dos espíritos fracassados. Para os espíritas que aceitam a dupla Kardec-Roustaing, Jesus teve um corpo “fluídico” na Terra por ser um espírito puro, e assim, a gênese desse corpo se deu por Sua vontade psicomagnética, caracterizando-O como um agene.

Por outro lado, os espíritas que não aceitam a obra *Os Quatro Evangelhos*, coordenada por Roustaing, acreditam que Jesus tinha corpo material como qualquer outro ser humano encarnado, e sua gênese também foi semelhante, através da fusão do espermatozóide e do óvulo.

Além disso, *Os Quatro Evangelhos* de Roustaing explica que os espíritos que fracassaram por causa do ateísmo, do orgulho e do egoísmo encarnaram nos mundos primitivos como “criptógamos carnudos” (animais rastejantes parecidos com lesmas), o que representa a doutrina da metempsicose, não aceita pelo Espiritismo, uma vez que a doutrina da reencarnação afirma que o Espírito só reencarna no reino humano (Humanidade).

Racionalismo Cristão

Na cidade brasileira de Santos, surgiu em 1910 um movimento dissidente dentro do movimento espírita, que se autodenominava “Espiritismo Cristão Racional e Científico” e mais tarde ficou conhecido como Racionalismo Cristão, sistematizado por Luís de Matos e Luís Alves Tomás.

Ramatismo

No Brasil, desde a segunda metade da década de 1950, alguns centros espíritas têm seguido a doutrina supostamente ditada pelo espírito Ramatis (consubstanciada principalmente nas obras psicografadas por Hercílio Maes). Diferenciam-se dos centros espíritas tradicionais pela maior ênfase no universalismo (origem comum das religiões) e no estudo comparativo das religiões e filosofias espíritas ocidentais e orientais. Também se destacam por uma influência mais forte de correntes de pensamento orientais (como o budismo e o hinduísmo) e pela sua proximidade com a cosmogonia do espiritismo universalista.

Conscienciologia

Waldo Vieira (1932–2015) foi o fundador da Conscienciologia. Após encerrar a parceria com o médium Chico Xavier, em 1968, o médium Waldo Vieira iniciou suas próprias pesquisas sobre o fenômeno denominado “projeção consciencial” (referido como “desdobramento espiritual” no Espiritismo). Consequentemente, em 1987, sistematizou o movimento paracientífico denominado Conscienciologia.

Renovação Cristã

Surgindo no Brasil como dissidência dentro do movimento espírita desde setembro de 2002. Embora ainda siga a Doutrina Espírita, afirma fazê-lo com maior seriedade que o próprio movimento brasileiro, o que é um argumento utilizado para sua separação.

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